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Bnei Anusim

O veneno do mel de Gibson

JUDAÍSMO

 

Cumprindo seu dever e seu objetivo de respeitar, difundir e acatar as tradições e os preceitos religiosos judaicos de acordo com a “halachá”, a FIERJ apresenta alguns tópicos de interesse sobre o judaísmo.

 

Realizar uma síntese da história, das crenças e das normas que regulam a vida dos judeus é uma tarefa difícil, seja porque esta história vem se desenvolvendo há quatro mil anos, seja porque o judaísmo escapa de definições muito rígidas.

 

Se, por um lado, o judaísmo é uma “religião”, por outro, é um “sistema de vida”, uma “cultura”, uma “civilização”, é “um povo unido pela história e por ideais comuns”. Um dos paradoxos da vida dos judeus é aquele pelo qual quem é judeu continua a sê-lo mesmo que não tenha fé e não observe nenhum dos preceitos da lei hebraica.

 

 

O judaísmo é um fenômeno complexo: a vida espiritual, social, econômica, política, seja como indivíduo seja coletivamente, entra na esfera de interesse da halachá (de halach, andar, caminhar), a lei que regula todos os comportamentos. História, cultura, atitudes e idéias estão interconectados.

 

Um raio de luz na Faixa de Gaza

 

Osias Wurman

Publicado em  24 de Junho de 2004 no jornal O Globo, Opinião

 

Não deve ser subestimado o recente gesto de paz evidenciado pela iniciativa de Ariel Sharon em pretender retirar os 7.500 colonos israelenses instalados em 21 assentamentos na Faixa de Gaza. A lógica de Sharon se baseia no fato de estar convencido de que do lado palestino não existe poder legal capaz de sustentar-se, atualmente, para garantir a assinatura de uma paz definitiva com o Estado de Israel. Restou, pois, partir sozinho para a atual iniciativa, pois não existe hipótese de sentar-se com os líderes dos movimentos guerrilheiros palestinos.

 

O passo seguinte de Sharon dependerá da reação das massas palestinas, do apoio que a comunidade internacional der à implementação de seu plano e também da parceria com o Egito que deverá garantir a ordem em Gaza, logo após a retirada israelense.

 

Lamentavelmente, o atual líder do movimento Hamas, Mahmoud A-Zahar, saiu de seu esconderijo e convocou as televisões para anunciar que seu movimento não cessará os atentados contra Israel, mesmo após a retirada de Gaza, e que não reconhece o direito de existência do Estado de Israel.

 

Avançar por este raio de luz que começa a iluminar o final do túnel será uma atitude equilibrada da liderança institucional palestina, no aceite desta retirada, não transformando o gesto numa suposta derrota propagandística de Israel. Este erro foi cometido no Líbano no ano de 2000, quando os israelenses se retiraram, após 18 anos de ocupação, do sul do país. Nesta ocasião o movimento terrorista Hezbollah cantou vitória pregando que só a luta armada resolverá o sofrimento dos refugiados.

 

O fanatismo fundamentalista pode ser constatado na recente notícia publicada pelo jornal iraniano “Sharqh” que revela existirem 2.000 voluntários inscritos para perpetrar ataques suicidas no Iraque, em Israel ou contra o escritor Salman Rushdie, jurado de morte pelo regime dos aiatolás. O mais chocante, segundo o jornal , é que 25% dos inscritos são menores de 18 anos e o mais jovem com apenas 7 anos de idade. Um verdadeiro crime ideológico contra o gênero humano.

 

Após Gaza , o obstáculo seguinte será a Cisjordânia, onde cerca de 200 mil colonos israelenses vivem em colônias com até 20 mil habitantes, como em Ariel, e em cidades bíblicas como Hebron, onde 400 colonos são circundados por mais de 100 mil palestinos.

 

Dois pontos nevrálgicos ainda permanecerão em aberto para negociar: Jerusalém e os refugiados.

 

A eterna cidade bíblica, anexada por Israel após a Guerra dos Seis Dias em 1967, e declarada sua capital oficial, poderá abrigar em sua periferia uma sede do futuro governo palestino conforme o plano apresentado pelo ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak, no ano de 2000 em Camp David.

 

Ainda conforme o plano, os locais sagrados da Cidade Velha seriam administrados pelos representantes das religiões a que estão referenciados.

 

No caso dos refugiados, terão de ser contemplados os cerca de 700 mil palestinos que originalmente saíram de suas terras após 1947 , data da “Partilha da Palestina”, aprovada pela ONU, e os 800 mil judeus que tiveram de deixar os países árabes após 1948, quando da declaração da independência do Estado de Israel, a maioria forçada pelo clima antijudaico implantado em seus países de origem.

 

É importante que os 21 países árabes que circundam Israel, além do Egito, venham a aderir, neste importante momento, aos esforços em direção à paz. O Egito teve papel importante na aproximação com Israel quando, em 1979, o presidente Anuar Sadat assinou a paz com o primeiro-ministro Menahem Begin, do partido Likud, o mesmo de Ariel Sharon.

 

Os otimistas acreditam que Sharon vai reeditar os momentos históricos de Begin e Sadat, desde que o premier palestino Ahmed Qurei consiga controlar os movimentos guerrilheiros.

 

Os pessimistas, de ambos os lados, acham que não conseguirá apoio político interno para as dolorosas medidas que pretende implantar. Se conseguir, será o herói de Gaza e não mais o pretenso vilão de Sabra e Chatila.

 

Sharon será julgado pela História!

O papel do Brasil na Palestina

 

Osias Wurman

Publicado em 7 de Dezembro de 2004 no jornal O Globo, Opinião

 

O mundo aguarda com ansiedade o momento de visibilidade sobre a futura liderança da ANP - Autoridade Nacional Palestina.

 

O vácuo deixado pela ausência de Yasser Arafat pode levar os palestinos para a mesa de negociações ou para o enfrentamento com Israel ou ainda para um embate entre seus quatorze diferentes grupos de guerrilheiros armados. O recente tumulto provocado por uma destas facções no episódio em que dois seguranças do atual presidente da Organização de Libertação da Palestina, Mahmoud Abbas, foram mortos por tiros de fuzis deixou às claras a fratura que divide a sociedade palestina. Foram muitos anos de desordem e falta de decisão para combater os movimentos armados que se enraizaram nos territórios de Gaza e da Cisjordânia. As cenas da multidão no sepultamento de Arafat, em Ramallah, são um dramático cenário das emoções e da anarquia que reina na região.

 

A grande maioria das sociedades israelense e palestina deseja a paz com seus vizinhos para poder transformar suas vidas, hoje ameaçadas pela violência de ações e reações, em algo que realmente valorize os aspectos humanistas. São enganosas as cenas mostradas pela TV, onde meia dúzia de israelenses caracterizados como ortodoxos dançavam em júbilo pelo destino de Arafat, pois não representam os ensinamentos da fé judaica que proíbe a comemoração da morte. No judaísmo é a vida que merece ser recebida e valorizada com alegria, diferentemente do que vem sendo ensinado aos árabes pelos seguidores da violência e do culto ao suicídio. Assim foi com o jovem de apenas 16 anos que se explodiu no Mercado Carmel em Tel-Aviv, horas após a aprovação do plano de retirada dos assentamentos israelenses da Faixa de Gaza. A mãe do suicida declarou-se indignada com a lavagem cerebral aplicada em seu filho e considerou imoral a atitude dos inspiradores deste crime.

 

Na verdade, nos 40 anos de vida da OLP, criada em 1964 pelo ditador egípcio Gamal Abdel Nasser para "libertar" a Palestina e "afogar os judeus no Mediterrâneo", e que passou ao comando de Yasser Arafat em 1969, nada foi conquistado pela força ou pelo terror. A devolução de Gaza e de parte da Cisjordânia aos palestinos foi fruto do Acordo de Oslo, assinado em 1993 por Arafat e o primeiro-ministro de Israel Itzhak Rabin. Vale lembrar que desde 1948, ano da independência do Estado de Israel, até a Guerra dos Seis Dias em 1967, a Faixa de Gaza era ocupada pelos egípcios e a Cisjordânia pelos jordanianos. Estas duas nações árabes, até serem expulsas por Israel, nunca deixaram os palestinos organizarem o seu Estado nestes territórios que lhes cabiam por decisão das Nações Unidas de 29 de novembro de l947, conhecida como "A Partilha da Palestina". O Brasil teve papel primordial nesta histórica Assembléia-Geral da ONU, que foi presidida por Oswaldo Aranha e de cujo empenho pessoal dependeu a votação favorável de mais de dois terços das nações presentes.

 

Em livro de sua autoria denominado "Brasil, segredo de Estado" (Record), o embaixador Sérgio Corrêa da Costa, presente à votação como assistente de Oswaldo Aranha, relata os momentos que se seguiram à resolução da partilha: "Os delegados árabes se retiraram acintosamente em massa, sem esperar o encerramento oficial da sessão, declarando à imprensa que o voto significava a morte da ONU. Enquanto alguns diziam que as fronteiras seriam traçadas com sangue, o mundo judaico comemorava delirantemente o início de uma nova era para o povo judeu." Felizmente a ONU não morreu, mas as fronteiras foram e estão sendo traçadas com muito sangue de civis inocentes, de ambos os lados.

 

Agora, cabe ao Brasil colocar o poder de suas ótimas relações com os países árabes, demonstradas na viagem do presidente Lula ao Oriente Médio, a favor de uma solução definitiva e negociada para a região, que contemple as aspirações dos dois povos envolvidos no conflito. Que sirva de respaldo a convivência amistosa entre árabes e judeus em território brasileiro. O governo brasileiro deve pressionar os vizinhos de Israel e do futuro Estado palestino para que aceitem a existência de um Estado judeu na região, com capital soberana na sagrada Jerusalém do Rei David, e para que assumam a responsabilidade de ajudar seus irmãos palestinos a construírem sua pátria nos territórios outrora ocupados, servindo finalmente como mediadores e não como insufladores da desgraça palestina. Em resposta, espera-se do governo de Israel uma reavaliação das reais aspirações do povo palestino a uma nação independente e territorialmente viável. Que a moderação e o respeito mútuo imperem na região pós Arafat.

 

O veneno do mel de Gibson

 

Osias Wurman

Publicado em  19 de Março de 2004 no jornal O Globo, Opinião

 

É uma iniciativa especialmente inconveniente lançar-se no circuito mundial, com especial competência no marketing e na mídia, uma película contraditória que poderá reabrir trincas na estrutura do relacionamento cristão-judaico, neutralizando as conquistas advindas do empenho de devolver a verdade ao rebanho cristão, empreendido pelos Papas João XXIII e João Paulo II.

 

Em recente viagem a Israel, pude observar o respeito do governo pela preservação dos locais sagrados do cristianismo, bem como do islamismo, e notar com alegria que os cristãos evangélicos são atualmente o grupo religioso não judaico que mais suporta o Estado de Israel, não somente em retórica, mas com expressiva presença na Terra Santa.

 

O filme "A Paixão de Cristo" já desperta uma indesejável polêmica entre os críticos religiosos que desejam promover um boicote e outros que compraram ingressos antecipadamente para serem distribuídos a seus fiéis. No primeiro fim de semana foi rompida a marca inusitada para filmes religiosos, alcançando cerca de US$ 120 milhões, com exibição em mais de três mil cinemas apenas nos Estados Unidos, onde 75% da população são cristãos. É a exploração pelo sensacionalismo.

 

O maior perigo da iniciativa do cineasta Mel Gibson reside no fato de sua versão afastar-se das mais importantes fontes de informação, inclusive do Evangelho de São Marcos, o mais antigo, quando implica todos os judeus da época na morte de Cristo, enquanto os historiadores deixam a nitidez de que apenas uma elite minoritária que freqüentava o Templo, comandada pelo sacerdote-mor Caiafas, teve participação direta na influência sobre o representante de Roma - Pôncio Pilatos. O filme de Gibson transforma todos os judeus em maiores culpados pelo sofrimento e morte de Jesus, superando até os dominadores de Roma. Esta inverdade poderá lançar na mente dos mais desavisados a pecha do deicídio a débito do povo judeu, que já sofreu, inocentemente por dois mil anos, as maiores perseguições e massacres de toda a História.

 

A maior aberração desta fatídica versão é a transformação de Pilatos num governador débil e influenciável, que teria cedido às pressões dos clérigos para crucificar Jesus. Transformar em doce figura humana um carniceiro, representante de um império pagão e dominador, que puniu mais de cem mil judeus com a pena da crucificação, é erro histórico que viola a verdade e a razão. A prova de que os romanos eram ferozes inimigos do monoteísmo judaico é cabal, pois 40 anos após a morte de Jesus, no ano 70 da era cristã, Tito ordenou a destruição do Grande Templo de Jerusalém, num gesto cujo objetivo era a submissão judaica ao culto pagão. Aí começava a diáspora de dois mil anos do povo hebreu, finalizada com a criação do Estado de Israel, em l948.

 

O público espectador deverá relembrar que Jesus nasceu, viveu e morreu como judeu, tendo sido circuncidado conforme os povos semitas. A sinagoga que freqüentava tem suas ruínas preservadas em Capernaum, situada no Norte do Estado de Israel, às margens do Lago Tiberíades. Adorava a cidade de Jerusalém, capital do reino de David, sendo seus primeiros adeptos originalmente judeus. Jesus adicionou ao tripé - verdade, justiça e paz - consagrado pelos estudiosos da Torah, o Pentateuco de Moisés, uma palavra básica de sua pregação: o amor. No alto da cruz onde foi crucificado, os romanos colocaram uma placa com as letras INRI , que em latim abreviava Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum (Jesus de Nazaré o Rei dos Judeus). A pena de morte prescrita no Antigo Testamento era o apedrejamento, enquanto os romanos usavam a crucificação.

 

A polêmica figura de Mel Gibson deve ser analisada para entendermos a motivação desta obra estereotipada. Embora tenha repetidamente negado sua condição de anti-semita, Gibson recusou-se a atender às ponderações da liderança judaico-americana que, após assistir à exibição privada do filme, solicitou reparos e correções indispensáveis à veracidade da obra e à preservação dos ditos do Concílio do Vaticano de l965. Também se recusou a criticar seu pai, Hutton, que numa recente entrevista afirmou que o Holocausto nunca existiu e que os campos de concentração eram apenas campos de trabalho. Hutton é um repugnante veterano revisionista que nega a morte dos seis milhões de judeus.

 

Por todos os motivos que se apresentam, em especial pela prevalência da verdade histórica e pela manutenção do fraterno diálogo cristão-judaico, as lideranças religiosas devem publicamente repudiar esta obra de ficção que tenta reacender a chama do preconceito da indigna era da Inquisição. Não permitamos que o sofrimento de Jesus seja desrespeitado pela deturpação desta obra de Gibson que adoça a personalidade do sanguinário romano Pôncio Pilatos, enquanto destila veneno contra todos os judeus.